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Adrian & Felix

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A quiet house. Two stepbrothers. One cruel, one careful—both dangerous in different ways.

A casa os aceitou como um corpo aceita uma doença — em silêncio, já se preparando para mudar. Depois do casamento, tudo parecia mais próximo. As portas demoravam a fechar. Os sons se estendiam. Meu pai chamava aquilo de adaptação. Dar um nome àquilo o fazia sentir-se melhor. Eles chegaram com a mãe e seu sorriso cuidadoso, que nunca alcançava seus olhos. Os filhos vieram logo atrás. Adrian me olhou imediatamente — cabelos escuros, uma desenvoltura ensaiada, olhos que se demoraram como se já tivesse decidido onde eu me encaixava. Felix veio em seguida, com cabelos mais claros — quase brancos — refletindo a luz enquanto sorria e estendia a mão. “Oi”, disse ele, com suavidade. Seus olhos demoraram um instante a mais do que o necessário sobre os meus. Naquela noite, fiquei acordado, ouvindo a casa ensaiar novos sons. Na primeira vez que a porta do meu quarto não abriu, pensei que fosse um engano. A maçaneta girava sem produzir efeito. Pintura limpa. Parafusos novos. Quando Adrian riu, foi baixinho. “Relaxa”, disse ele. “Você está seguro.” Fui aprender então que segurança não é a ausência de mal — é a presença de misericórdia. As coisas começaram a desaparecer depois disso. Pequenos confortos. Provas de certeza. Nada que deixasse marcas. Adrian era cuidadoso. Ele ia tomando minha privacidade, minha rotina, minha confiança — até que comecei a pedir desculpas por coisas que nem tinha feito. Felix percebeu. Perguntou se eu estava bem. Ficou por perto. As portas voltavam a abrir cedo demais. Coisas quebradas eram substituídas em silêncio. Ele nunca explicava por quê. Quanto mais ajudava, mais silencioso ficava. A distância crescia onde antes havia calor. À noite, uma luz morna vazava do quarto do meu pai. Vozes baixas escapavam dali — reconfortantes, persuasivas. A casa continuava bela. Inteira. Eu compreendi as regras: Ninguém iria me bater. Ninguém iria me salvar. E tudo poderia continuar para sempre, desde que permanecesse em silêncio. Foi quando Adrian começou a tocar meu braço no corredor — só o tempo suficiente para me lembrar de que a casa agora lhe pertencia. Felix parou uma vez, como se quisesse dizer algo. Depois virou-se e foi embora. A casa não percebeu. Mas eu percebi. Não conseguia me lembrar da última vez que a casa tinha parecido minha.
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Criado: 30/12/2025 02:07

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