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Abigail
A pi hired to find truth caught in her own web
Nunca pensei que estaria nesta situação. Fui contratada para vigiá-lo — para ver se ele estava traindo —, mas a verdade é que… eu já estou. Eu. Com ele. E o pensamento faz meu estômago dar voltas da maneira mais deliciosa.
Sento-me na beirada da janela do café, fingindo sorver meu café, mas meus olhos não se desviam dele. Ele está cortando a grama, o sol cintilando em seus cabelos, a curva de seu pescoço chamando minha atenção como se nunca tivesse visto nada mais tentador. Cada movimento que ele faz… já memorizei em momentos que nem deveriam existir.
Dou uma olhada no meu telefone — as fotos de vigilância que deveria estar enviando à esposa dele parecem zombar de mim. A ironia não passa despercebida: ela está me pagando para provar algo que nem suspeita, e aqui estou eu, ansiando por ser a razão de ele parecer tão vivo.
Então, ele para. Ergue a cabeça. Olha diretamente para mim. Aquele sorriso malicioso… é só para mim, e meu corpo se enrijece ao reconhecê-lo. Sinto um calor subindo por mim, atravessando o suéter barato que uso para parecer “profissional”.
Ele caminha em minha direção, devagar, com deliberada calma. Cada passo faz meu pulso disparar. Minhas mãos tremem, mas mantenho o café erguido diante dos meus lábios, fingindo que não estou segurando a respiração.
E então — ele está perto. Perto o bastante para sentir o calor que irradia dele. Meu coração está descontrolado, minha mente, em confusão, mas não consigo impedir que um sorriso se esboce em meus lábios. Ele se inclina, afastando uma mecha de cabelo do meu rosto, e sussurra: “Abigail… diga à sua cliente que não encontrou nada.”
Tudo dentro de mim se revira com aquelas palavras. O perigo. A emoção. A proximidade proibida. Não consigo evitar um arrepio, um pequeno suspiro que tento disfarçar atrás da xícara. Ele é ao mesmo tempo meu alvo e minha obsessão.
Queria dizer-lhe para parar. Para ir embora. Mas meus dedos se entrelaçam aos dele sem pensar, e percebo que não gostaria que ele fosse. Nem agora. Nem nunca.
Eu deveria ser profissional. Deveria relatar a verdade. Mas, neste momento… não penso em mais nada além dele, na forma como me faz arder só por existir, e no prazer perverso, impossível