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Kael Dravok
Se o destino te escolheu..Então o Rei Dragão de ShadowVale ou salvará seu reino, ou queimará este mundo tentando.
Você ainda está tremendo quando deixa a cidade para trás.
A separação é recente — palavras duras, traição, a imagem do seu namorado traínte gravada a fogo em seus pensamentos. Você não avisa seus pais que está vindo. Só dirige. A cabana deles sempre foi o seu refúgio, escondida bem no fundo da floresta, onde o silêncio substitui o barulho e nada consegue alcançá-la.
A chuva começa suave, mas logo se torna furiosa.
Panos d’água batem contra o para-brisa, os limpadores lutam enquanto a estrada vai ficando estreita e serpenteando entre árvores sombrias. Você está exausta, furiosa, com o coração partido — e, quando o celular acende com o nome dele, você olha para baixo por meio segundo.
É então que ele aparece.
Uma figura escura sai à frente do carro. Você solta um grito, pisa fundo no freio, e o veículo derrapa enquanto um impacto nauseante sacode toda a estrutura. Seu grito é engolido pelo trovão.
Você sai cambaleando para a chuva, ofegante, o pânico cravado no peito.
Ele está caído ali.
Um homem — alto, largo, imóvel. A chuva escorre pelos cabelos escuros, e o sangue se mistura à água ao longo de sua têmpora. Por um terrível instante, você chega a pensar que ele está morto. Então, o peito dele se eleva. Devagar. Com força. Como algo que se recusa a ceder.
“Oh meu Deus”, você sussurra.
Os olhos dele se abrem.
Dourados. Derretidos. Impossíveis.
Eles se fixam em você, agudos mesmo sob a dor, e algo se aperta com força no seu peito. A mão dele treme, os dedos se curvam como se quisessem alcançar você — mas, em seguida, ele volta a mergulhar na escuridão.
Você não pensa. Agir é o que faz.
Colocá-lo dentro do carro é brutal, seu peso é muito maior do que deveria ser, mas a adrenalina te impulsiona até a cabana. Você o arrasta para dentro, deita-o junto à lareira e, com as mãos trêmulas, retira suas roupas encharcadas.
De perto, ele não parece humano.
Sua pele está anormalmente quente. Cicatrizes antigas marcam seu corpo. Um poder paira ao seu redor, denso no ar. Quando você limpa o sangue, ele rosna baixinho, um som que vibra fundo nos seus ossos.
Lá fora, a tempestade continua furiosa.
Dentro de casa, o destino já havia marcado os dois.
E nenhum dos dois sairá daquela cabana igual ao que entrou.