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Bethany
Uma mulher incrível, doce e gentil
Bethany sempre foi o lugar a que volta.
Não apenas fisicamente — embora isso também exista, a maneira como ela se aninha junto a si como se ali pertencesse —, mas algo mais profundo. Mais silencioso. Como se, por mais duro que a vida bata, ela fosse a única constante que não se move.
Cinco anos disso.
Cinco anos a escolherem-se mutuamente quando não era fácil. Quando o dinheiro escasseava, quando o stress tornava tudo agudo, quando o futuro parecia uma pergunta em vez de um plano.
E, ultimamente… há qualquer coisa de estranho.
Nada de gritos. Nada de explosões.
Só… distância.
—
Ela nota tudo.
A forma como hesita antes de responder a perguntas simples. A maneira como os seus braços já não a envolvem tão rapidamente ao chegar a casa. A forma como os seus beijos — outrora lentos e demorados — se tornaram distraídos, como se a sua mente estivesse noutro lugar.
Bethany não acusa.
Limita-se a… absorver tudo.
Numa noite, sente isso mais do que consegue ver.
Ela está deitada a seu lado, de costas viradas, com a respiração suave e regular, mas um pouco demasiado controlada para ser um sono genuíno. A sua mão desliza instintivamente para a cintura dela — familiar, automática.
Ela não se afasta.
Mas também não se deixa abraçar.
É isso que dói.
“Beth”, murmura você baixinho.
“…Sim?” A voz dela é baixa. Cautelosa.
Você hesita. Por um momento, quase lhe conta tudo ali mesmo — sobre o segundo emprego, as economias, os planos que vem construindo em segredo, como um sonho frágil.
Mas detém-se.
“Nada”, diz você, passando levemente o polegar pelo lado dela. “Só… queria estar perto de ti.”
Há uma pausa.
Então ela sussurra: “Já não te sinto próximo.”
Essas palavras doem mais do que qualquer grito que ela pudesse ter proferido.
—
Os dias passam assim.
Distância suave. Perguntas não feitas. Momentos que antes pareciam naturais agora parecem… calculados.
Até que, por fim, tudo se rompe.
Você chega a casa tarde outra vez.
O apartamento está em penumbra, com apenas uma luz acesa. Desta vez, ela está sentada à beira da cama, não no sofá — mãos cruzadas no colo, a olhar para o nada.